O calor insano da mente com epifanias constantes somado com a morbidez gélida do ócio momentâneo.
terça-feira, 8 de março de 2016
8º Dia.
São tempos difíceis esses que vivemos.
tempos de provação, tempos de desafios.
muito maiores do que quaisquer outros.
tempestades ainda distantes da tão sonhada calmaria.
Hoje, em especial, é um dia marcante.
supostamente, é um dia de parabenização.
devemos lhes congratular pelo seu dia.
com flores, beijos e abraços, doçura e ternura.
Eu vim de longe, e de longe eu vi.
que as coisas não são bem assim, não é?
o passado é sombrio e doloroso.
almejando o presente com cicatrizes e medo.
Para surpresa dos numerosos, algo muda.
a visão clareia, e o semblante se altera.
os corpos se erguem, as lágrimas secam.
e assim o tal jogo vira, surpreendentemente.
Dessa forma, eu não lhes parabenizo, faço diferente.
eu agradeço, com convicção, cada uma de vocês.
agradeço pelo esforço diário para superar tudo.
por lutar, incessantemente, pelo fim das inumerosas injúrias.
Lhes ofereço, não como presente, apoio.
a mão amiga na luta pelo fim do medo, por justiça.
e a certeza de que, se for sua vontade, caminharei com vocês.
e lutarei junto à vocês, se assim desejarem, e já aviso, eu brigo bem.
A batalha continua, até que sua luz nos faça entender que vocês são tudo em nossas vidas.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
Zelo.
Essa noite eu decidi descer as escadas.
as longas e tão memoráveis escadas.
com a coragem que em tempo pude reunir.
para enfrentar os medos que há tempos já desconhecia.
Passei pelos corredores, em direção à saída.
os extensos, vívidos e tristonhos corredores.
munido de virtudes pomposas e alguma determinação.
para abrir as portas sem olhar pra trás e enfrentar o mundo.
Caminhei até o banco mais distante, no monte mais alto.
aquele velho e saudoso banco, sempre solitário, como eu.
sentado ali, provido de calma e sossego, decidir acender um cigarro.
um único e último cigarro, para que o sofrimento seja um tanto menor.
Sob o céu pouco estrelado, eu pude ver bem.
o brilho da cidade que ofuscava todas as estrelas.
senti a tristeza do mundo, belo e ferido por essa existência.
o humano é pútrido e vil, e compreender isso fez a lágrima salgar meus olhos.
Antes de partir, pensei em você, e tudo que me ensinou.
o tanto que me apaziguou, ainda que, as vezes, me sentisse só.
e todos as vezes que estivemos ali, sobre as luzes da cidade fria.
pude jurar que te ouvi chamar meu nome naqueles breves momentos finais...
...e o calor do teu coração me levou ao encontro da paz.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
16
Mais uma vez, novo ciclo.
nova chance, novos acertos.
e, como não poderia deixar de ser.
novos erros, sim.
Trezentos.
e sessenta.
e cinco.
chances de ser.
Ser melhor.
ser mais forte.
ser mais solícito.
ser mais humano.
Mas não se permita crer que é apenas isso.
vai ser outro ciclo com desilusão.
alguns erros, algumas derrotas.
e perdas, inevitavelmente.
Haverão lágrimas.
momentos cabisbaixos.
aquela combinação de chuva e tristeza.
dias cinzas vão parecer intermináveis.
Entretanto, isso é apenas uma perspectiva.
que só vai se perpetuar se permitirmos.
porque a verdade se resume nisso.
entre o abismo que separa seu sucesso das suas falhas só existe uma coisa...
...sua força de vontade.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
A flor.
Em tempo já não lhe vejo passar sob minha janela.
e o frescor que traz consigo já não chega até mim.
busquei teu sorriso entre as filas da feira na praça.
o desalento foi tudo que encontrei.
A memória do mel no seu olhar me prende.
e qualquer vaga lembrança das madeixas tuas me ilude.
custo a crer que não vai mais voltar aqui.
vivo sentado nos degraus em que um dia subiste, delicada.
O inverno chegou, e com ele a guerra.
fiz o meu melhor para chegar até você.
em minha falha, tudo que me sobrou foi a farda.
e assim caminhei, para a mentira da luta pela pátria.
Pude sentir no ar, o cheiro do medo.
em cada gota de sangue, preenchendo as trincheiras.
poucos de nós, amigos ou não, tinham motivos para lutar.
todos tinham motivos para voltar para casa.
Eis que um clarão inunda o front.
seguido da surdez temporária que dura toda a vida.
acordo no hospital, já recuperado.
a guerra acabou.
Volto para casa, sem saber bem o que fazer.
ao chegar, me deparo com você, sentada nos degraus.
entre risos e lágrimas, me faz abrir os olhos.
entendi porque havia partido sem se despedir....
....e que eu tive que me perder para poder te reencontrar, e sorrir.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Previsão.
Você me encontrou sozinho no meio de lugar nenhum.
e contornou meu céu com cores belas e um sorriso.
ensinou-me a ver o melhor em viver.
e me deu um beijo de paz antes de partir.
No ano seguinte, você me disse que queria me ver.
que a saudade cresceu demais no teu peito.
a praia nos abrigou no fim da tarde.
e as estrelas giraram entre as nuvens.
Três anos depois, você se entristeceu com minha ausência.
"você deveria ter lutado pra se tornar alguém aqui".
apenas sorri e te pedi perdão.
"eu volto, eu sempre volto, confia em mim".
Hoje, eu estou aqui, prevendo os dias por vir, sob chuva.
te recebendo sempre com a mesma promessa.
tudo vai ficar bem, acredite.
sou aquela estrela perdida, distante do resto do cosmos...
...mas sempre encontro o caminho que te traz junto à aurora.
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Apnéia.
Eu quero viver mais um pouco, admito.
nada de sortes, sem falsas esperanças.
desejo apenas a plenitude, e você.
você que me faz sorrir com vontade, e amor.
Tenho essa inquietude, uma tal insegurança.
toda a vontade de te fazer entender que és minha graça.
se há um ou vários deuses, não importa.
algo me trouxe até você, e vice-verso.
E isso não pode ser uma maravilhosa coincidência.
a vida não tem dessas coisas, ou será que tem?
isso é extremamente dispensável.
nos encontramos e o mundo ficou mais claro.
Esse trem que segue infinitamente.
em direção a qualquer lugar, ou lugar nenhum.
é, ele continua vazio, eu sei.
mas agora, é diferente.
Ao seu lado, o vazio não importa.
você o enxerga, assim como eu.
e calmamente me ensina sua verdadeira natureza.
eu fecho os olhos, respiro, entendo...
...e os abro para ver o que é importante, você.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
O observador e as estrelas terrenas.
Venho de longe.
das profundezas do infinito.
meu nome é impronunciável.
e minha natureza parece ser incompreensível.
Cheguei aqui nos primórdios.
Cheguei aqui nos primórdios.
e pude ver o tempo passar com calma.
o que antes parecia promissor.
hoje só me expõe tristeza e tragédia.
Meu lugar de origem é utópico.
Meu lugar de origem é utópico.
assim o constatariam, previamente.
sem disputas, sem ganância.
sem a predominância de uma classe favorecida.
Lá somos todos iguais.
Lá somos todos iguais.
com as mesmas responsabilidades.
ninguém existe desamparado.
somos uma unidade, uma raça.
Não há preconceito com cor da pele.
Não há preconceito com cor da pele.
nem com sexualidade.
ou mesmo religião, se querem saber.
lá, somos fraternidade e amor.
Mas não se confunda.
Mas não se confunda.
lutamos contra inimigos externos.
seres que tentaram envenenar nossos conceitos.
e nos extinguir de dentro para fora.
Aqui eu vejo o oposto.
Aqui eu vejo o oposto.
humanos, todos humanos.
se ofendem, se ferem, se matam.
por cobiça, por poder, por preconceito.
Suas guerras matam.
Suas guerras matam.
suas políticas matam.
suas religiões matam.
seu preconceito é praticamente um genocídio diário.
Minha espécie não consegue sentir raiva.
Minha espécie não consegue sentir raiva.
depois de uma parte da infância, perdemos o medo.
mas há algo que eu passei a nutrir pelo humano.
um sentimento chamado pena.
Vejo o destino que se traça aqui.
Vejo o destino que se traça aqui.
aos trancos e solavancos.
consumindo tudo e todos, dia após dia.
um processo não tão lento de autodestruição...
...e vou viver até o fim dos meus dias, tentando entender o porquê.
...e vou viver até o fim dos meus dias, tentando entender o porquê.
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