O calor insano da mente com epifanias constantes somado com a morbidez gélida do ócio momentâneo.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Dor.
Observei silenciosa e atentamente.
enquanto a fé causava genocídios, por todos os cantos.
vi o sangue escorrer e os deuses se perderem.
o homem destruindo o homem.
Contemplei mundos sendo descobertos.
enquanto a ciência nos saciava a curiosidade.
vi o desconhecido se tornar mortalmente familiar.
o outro dissecando o homem.
Enxerguei, pálido e descrente.
enquanto políticas e cobiça nos encurralavam.
vi a ganância se espalhar e matar, como uma doença.
o poder correndo o homem.
Diante de tantas mazelas, guiei os restantes.
lentamente, em direção ao refúgio.
ainda temeroso, lhes pedi que vivessem, apenas.
há esperança de que eles sejam melhores, por eles mesmos.
não consigo deixar de me indagar.
se o homem foi criado para findar-se.
um processo tortuoso de autodestruição.
e apesar do zelo e de todos os cuidados...
...sinto que essa pergunta permanecerá eternamente sem resposta.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
Gargântua.
Como uma ilusão sincera, nossas vidas se chocaram.
em meio ao caos sublime que nunca nos confortou.
a existência apenas serviu para esse momento.
em que um novo universo nos foi apresentado.
Nos confins da escuridão, silêncio.
e as faíscas explosivas do seu toque.
os vastos mundos que ainda não descobri.
todos espalhados no teu olhar.
Séculos se passam em poucos instantes.
os segundos mais longos que teremos.
daqui até o findar do infinito.
as estrelas vão nos atentar....
....e a areia irá cobrir nossos pés.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Peregrinos das constelações
Nós viemos de não muito longe.
com nossa tecnologia não tão avançada.
e apenas um propósito em mente.
desejávamos conhece-los, trocar conhecimento.
Vocês foram os primeiros.
formas de vida localizadas nessa imensidão.
nosso impulso e contentamento foram comedidos.
ainda assim, precisávamos encontrar seu mundo.
Alguns muitos pousos, simultaneamente.
em alguns lugares, fomos bem recebidos.
contudo, não foram todos os que nos acolheram.
ouso dizer que alguns de nós foram desencadeados (aqui vocês chamam isso de "morrer").
Ainda assim, preferimos crer na bondade do todo.
ouvimos sobre suas "religiões" e "deuses".
aprendemos sobre a "política" e suas mazelas organizacionais.
aos poucos fomos percebendo o que acontecia.
Nossas entidades regentes foram alvo de seu preconceito.
e seus costumes e práticas venenosas e segregativas.
sempre sendo empurrados mente adentro, sem consulta alguma.
as tramoias políticas e territoriais foram nos desgastando.
Não desistimos, o que vocês intitulam "ódio" e "desamor".
isso não existe em nossos padrões, nem nunca vai existir.
sabemos apenas agir como um todo, viver como um todo.
e sempre partilhar o conhecimento e as boas coisas.
Fomos infectados por suas falhas incessantes.
pressionados, convertidos, corrompidos e mortos.
dissecados e usados para fins desconhecidos.
praticamente extintos, toda nossa raça.
Isso realmente não importa.
não vamos permitir que vocês se percam mais.
vamos retornar um dia, na esperança de boas mudanças.
e com alguma certeza iremos salva-los...
...antes que acabem por se destruir completamente.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Elevar.
Era como nossos sonhos mais antigos.
sombras em meio ao vislumbre do caos.
caminhos que se descarrilaram incessantemente.
em uma intensidade tamanha que se tornava agoniante.
No fim da jornada, o lar.
tijolos empilhados, paredes aos pedaços.
uma reles casca do que um dia nos acolheu.
olhando fundo entre os escombros, encontramos paz.
A vista da costa inebria a consciência.
estamos tão perto de tudo o que nos falta.
e tão distante de tudo que nos sobra.
já não sei mais se vou ficar...
...ainda assim, me questiono se devo mesmo partir.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Quarta-feira.
Essa noite eu decidi caminhar até a varanda, apenas para fumar um cigarro e pensar sobre qualquer coisa relativa ao tanto de nada que eu tenho feito nos últimos tempos.Me pego acompanhando a trajetória da lua entre as poucas nuvens, e me lembro daquela coisa muito importante, ou daquele dia totalmente inesquecível, lembrei de alguma coisa qualquer que me fez sorrir, lembrei de você, mesmo não sabendo ao certo se você é realmente você.
No fim das contas, me deitei na varanda sem qualquer cerimônia, e entre um pensamento perdido e outro, fiquei com vontade de fazer algo surreal e totalmente sem sentido: catar uns universos na ponta dos dedos e colocar nos potes de vidro vazios que tinham na cozinha.Não é a atividade mais saudável nos méritos psicológicos, mas eu não ligo muito pra isso, e acho que você também não ligaria, é só minha forma de provar pra existência que eu consigo fazer coisas inteligentes e agradáveis até quando estou me sentindo meio mal.
Como era de se esperar, eu passei a madrugada em claro enchendo potinhos com universos e galáxias e constelações até que não houvessem mais potes, e até que eu conseguisse me livrar do pensamento de quão maluca eu achei que você fosse, e o quão interessante eu iria te descobrir.A verdade é que eu só queria aquele nível de intimidade em que se pode estar perto da pessoa com qualquer frequência que se considere saudável, independente de qualquer contato físico, era algo mais em prol da companhia e de saber que você faz alguma diferença na vida da pessoa do que qualquer outra coisa.
O que se pode concluir é que há alguma coisa motivadora o suficiente pra me fazer vir até aqui e falar desenfreadamente sobre esse assunto, sabendo que ninguém vai ler isso com a ciência do que pode ser, nem mesmo eu ou você, ou a minha gatinha, a mochila (sim, o nome da felina é mochila, só aceita que é melhor).Eu vou viver lembrando das coisas daquele jeito estranho e raro que só eu tenho de lembrar, aonde tudo que acontece na intimidade entre duas pessoas é um infinito e todo sorriso vale mais do que qualquer joia que exista por ai.
Refletir sobre isso? é uma realidade que eu encaro com simplicidade, eu vou pensar um pouco sobre o tanto de universos a mais que poderiam decorar os outros potes se naquela noite você tivesse me acompanhado, ou mesmo o pouco tempo que seriam as oito horas que passei acordado naquela madrugada se você estivesse acordada lá do lado me pentelhando.Só acho que na verdade eu não deveria achar nada e tinha mais é que sossegar no meu canto e tomar meu refrigerante enquanto converso coisas aleatórias com pessoas aleatórias.
Entre os futuros desencontros que ambos sabemos que vão existir, eu só espero que você se lembre...
...que seu bem me faz bem, e é nessa simplicidade que levamos as coisas.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
Desejo e Surpresa.
Como um agradável acaso, você veio me encontrar.
em tal situação cômica, por sua total inocência.
reluzente em sua singularidade, me cegou.
por fim, ainda que não intencionalmente, me fez sorrir.
Eis que sua graça recai sobre a casa.
na permanência, encontramos paz e força.
nos olhares temos firmeza e complacência.
com o passado nos sobra a certeza de um afago.
Assim desejo a ti todo o tempo nessa vida.
para que possa viver e ser a razão de um sorriso qualquer.
espero, com muito afinco, que tenha luz nos teus caminhos.
e que possa sempre ser essa existência espetacular e surreal...
...que os dias possam ser agraciados com você no fim.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Palavras Faltosas.
Hoje a nostalgia almoçou comigo.
veio me recordar daquela época de você.
dos seus desastres inconstantes, porém divertidos.
e da bela catástrofe que eramos juntos.
Me peguei lembrando sorridente.
as muitas brigas, aos urros e murros.
alimentavam, sem saber, o carinho estranho que tive por ti.
assim dando forma a parte do homem que vê aqui.
Em meio ao diálogo, um leve suspirar.
pude ver nossos, não poucos, momentos de tensão.
todo o silêncio que tanto nos feriu.
e a criança que há em mim, vez ou outra nos prejudicando.
Agora vejo em você um sorriso pelo qual viver.
tenho a leve sensação, quase uma certeza.
que somos, juntos, algo maior.
muito maior do que jamais iriamos imaginar.
Assim, decidi lhe escrever, dessa vez.
para que, com sorte, não se esqueça.
da única verdade que eu quero te fazer acreditar.
somos muito mais sorrisos que silêncio...
...e nunca vou saber como te dizer coisas bonitas.
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