terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Peregrinos das constelações


Nós viemos de não muito longe.
com nossa tecnologia não tão avançada.
e apenas um propósito em mente.
desejávamos conhece-los, trocar conhecimento.

Vocês foram os primeiros.

formas de vida localizadas nessa imensidão.
nosso impulso e contentamento foram comedidos.
ainda assim, precisávamos encontrar seu mundo.

Alguns muitos pousos, simultaneamente.

em alguns lugares, fomos bem recebidos.
contudo, não foram todos os que nos acolheram.
ouso dizer que alguns de nós foram desencadeados (aqui vocês chamam isso de "morrer").

Ainda assim, preferimos crer na bondade do todo.

ouvimos sobre suas "religiões" e "deuses".
aprendemos sobre a "política" e suas mazelas organizacionais.
aos poucos fomos percebendo o que acontecia.

Nossas entidades regentes foram alvo de seu preconceito.

e seus costumes e práticas venenosas e segregativas.
sempre sendo empurrados mente adentro, sem consulta alguma.
as tramoias políticas e territoriais foram nos desgastando.

Não desistimos, o que vocês intitulam "ódio" e "desamor".

isso não existe em nossos padrões, nem nunca vai existir.
sabemos apenas agir como um todo, viver como um todo.
e sempre partilhar o conhecimento e as boas coisas.

Fomos infectados por suas falhas incessantes.

pressionados, convertidos, corrompidos e mortos.
dissecados e usados para fins desconhecidos.
praticamente extintos, toda nossa raça.

Isso realmente não importa.

não vamos permitir que vocês se percam mais.
vamos retornar um dia, na esperança de boas mudanças.
e com alguma certeza iremos salva-los...


...antes que acabem por se destruir completamente.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Elevar.



Era como nossos sonhos mais antigos.

sombras em meio ao vislumbre do caos.
caminhos que se descarrilaram incessantemente.
em uma intensidade tamanha que se tornava agoniante.

No fim da jornada, o lar.

tijolos empilhados, paredes aos pedaços.
uma reles casca do que um dia nos acolheu.
olhando fundo entre os escombros, encontramos paz.

A vista da costa inebria a consciência.

estamos tão perto de tudo o que nos falta.
e tão distante de tudo que nos sobra.
já não sei mais se vou ficar...


...ainda assim, me questiono se devo mesmo partir.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Quarta-feira.



Essa noite eu decidi caminhar até a varanda, apenas para fumar um cigarro e pensar sobre qualquer coisa relativa ao tanto de nada que eu tenho feito nos últimos tempos.Me pego acompanhando a trajetória da lua entre as poucas nuvens, e me lembro daquela coisa muito importante, ou daquele dia totalmente inesquecível, lembrei de alguma coisa qualquer que me fez sorrir, lembrei de você, mesmo não sabendo ao certo se você é realmente você.
No fim das contas, me deitei na varanda sem qualquer cerimônia, e entre um pensamento perdido e outro, fiquei com vontade de fazer algo surreal e totalmente sem sentido: catar uns universos na ponta dos dedos e colocar nos potes de vidro vazios que tinham na cozinha.Não é a atividade mais saudável nos méritos psicológicos, mas eu não ligo muito pra isso, e acho que você também não ligaria, é só minha forma de provar pra existência que eu consigo fazer coisas inteligentes e agradáveis até quando estou me sentindo meio mal.
Como era de se esperar, eu passei a madrugada em claro enchendo potinhos com universos e galáxias e constelações até que não houvessem mais potes, e até que eu conseguisse me livrar do pensamento de quão maluca eu achei que você fosse, e o quão interessante eu iria te descobrir.A verdade é que eu só queria aquele nível de intimidade em que se pode estar perto da pessoa com qualquer frequência que se considere saudável, independente de qualquer contato físico, era algo mais em prol da companhia e de saber que você faz alguma diferença na vida da pessoa do que qualquer outra coisa.
O que se pode concluir é que há alguma coisa motivadora o suficiente pra me fazer vir até aqui e falar desenfreadamente sobre esse assunto, sabendo que ninguém vai ler isso com a ciência do que pode ser, nem mesmo eu ou você, ou a minha gatinha, a mochila (sim, o nome da felina é mochila, só aceita que é melhor).Eu vou viver lembrando das coisas daquele jeito estranho e raro que só eu tenho de lembrar, aonde tudo que acontece na intimidade entre duas pessoas é um infinito e todo sorriso vale mais do que qualquer joia que exista por ai.
Refletir sobre isso? é uma realidade que eu encaro com simplicidade, eu vou pensar um pouco sobre o tanto de universos a mais que poderiam decorar os outros potes se naquela noite você tivesse me acompanhado, ou mesmo o pouco tempo que seriam as oito horas que passei acordado naquela madrugada se você estivesse acordada lá do lado me pentelhando.Só acho que na verdade eu não deveria achar nada e tinha mais é que sossegar no meu canto e tomar meu refrigerante enquanto converso coisas aleatórias com pessoas aleatórias.
Entre os futuros desencontros que ambos sabemos que vão existir, eu só espero que você se lembre...



...que seu bem me faz bem, e é nessa simplicidade que levamos as coisas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Desejo e Surpresa.


Como um agradável acaso, você veio me encontrar.
em tal situação cômica, por sua total inocência.
reluzente em sua singularidade, me cegou.
por fim, ainda que não intencionalmente, me fez sorrir.

Eis que sua graça recai sobre a casa.
na permanência, encontramos paz e força.
nos olhares temos firmeza e complacência.
com o passado nos sobra a certeza de um afago.

Assim desejo a ti todo o tempo nessa vida.
para que possa viver e ser a razão de um sorriso qualquer.
espero, com muito afinco, que tenha luz nos teus caminhos.
 e que possa sempre ser essa existência espetacular e surreal...


...que os dias possam ser agraciados com você no fim.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Palavras Faltosas.


Hoje a nostalgia almoçou comigo.
veio me recordar daquela época de você.
dos seus desastres inconstantes, porém divertidos.
e da bela catástrofe que eramos juntos.

Me peguei lembrando sorridente.
as muitas brigas, aos urros e murros.
alimentavam, sem saber, o carinho estranho que tive por ti.
assim dando forma a parte do homem que vê aqui.

Em meio ao diálogo, um leve suspirar.
pude ver nossos, não poucos, momentos de tensão.
todo o silêncio que tanto nos feriu.
e a criança que há em mim, vez ou outra nos prejudicando.

Agora vejo em você um sorriso pelo qual viver.
tenho a leve sensação, quase uma certeza.
que somos, juntos, algo maior.
muito maior do que jamais iriamos imaginar.

Assim, decidi lhe escrever, dessa vez.
para que, com sorte, não se esqueça.
da única verdade que eu quero te fazer acreditar.
somos muito mais sorrisos que silêncio...


...e nunca vou saber como te dizer coisas bonitas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Montauk.



Essa noite eu decidi apagar você da minha existência.
tomei essa atitude sem ao menos um bom motivo.
ao mesmo tempo, tive todo e qualquer motivo.
engraçado como eu nunca vou saber explicar isso.

No meio do vazio que eu escolhi criar, ouvi um estalo.
vinha da rachadura que sempre existiu sob nós.
a verdade é que nunca ligamos muito pra ela.
e sempre soubemos que ela estava lá, naquele mesmo lago.

O que me ocorreu em seguida foi um medo.
aquele tipo de pavor que se sente uma ou outra vez.
então percebi que não desejava aquilo.
não podia apagar a única coisa que realmente existiu na minha vida.

Eu corri, desesperadamente, sem um rumo.
fui de encontro a todas as nossas lembranças, sem parar.
fugi até minhas humilhações, quando não tive mais escolhas.
e decidi ficar ao invés de partir, quando não havia mais saída.

Um dia começa, e eu acordo com teu gosto, sem saber que é teu.
sigo em direção ao cotidiano que abandonei com você, sem saber.
desisto, e vou em direção aquele mesmo lago.
naquele mesmo lugar....


....tentando recordar o que eu nunca quis esquecer.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Tu me tornas...


Eterna e incontrolavelmente responsável.
por isso e aquilo que cativamos.
todas as belas coisas que vem no teu sorrir.
e todas as constelações dos seus olhares.

Os outros mundos secos e incolores.
que se perdem em rios e cores da tua voz.
um espetáculo singular e inexplicável.
inebriante em cada encontro.

Nesse mês em específico.
e em tal data especial, quase que obviamente.
me ponho a matutar, por todo o dia.
procuro palavras para lhe dizer que quero que viva para sempre.

Digo que sempre pode ser muito tempo.
então que seja por todo o tempo que a vida nos permitir.
e que isso signifique bastante tempo.
tempo suficiente para que possamos compartilhar um por do sol....



...tempo suficiente para que possa te guardar em afeto pra toda vida.