quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Portas e Janelas de uma festa singular.

Olhares transversais.
abrimos as portas, faz frio lá fora.
um vazio que não se entende.
aquele dia em que questionamos sobre o tal amor.

Você fecha a janela.
as cortinas, ainda coradas.
noticias sempre dirão que não.
qualquer coisa, feridas abertas.

Tempo bom, ruim.
tempo que não para, não mesmo.
linhas a mais ou palavras a menos.
a pele, porcelana, vivaz.

O arfar do cansaço.
mesma indagação, o velho porque.
resposta, apenas um talvez.
"Talvez não possamos mais parar de correr....




...ou viver."

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Recortes em preto e branco.

Ela se perde, entre linhas e sonhos.
passos e receio, no compasso de uma razão.
olhos no relógio enquanto o tempo não ousa parar.
por fim, a sensação de solidão, inexplicável e pura.

Emoções simuladas a compõem.
como uma canção, ou mesmo a realidade.
se indaga sobre o que é, ou como é.
apenas sabe que é, e isso lhe basta, por agora.

As luzes se projetam através da janela.
e no quarto, ela contempla o som do silêncio, seu.
lábios secos, pele macia, ó céus, quem diria...
delírios de um momento completo, sob os lençóis.

Por entre as cores desvanecidas, te encontrarei.
nos segundos que estivermos juntos, infinito e eternidade.
deixo minha realidade, em prol de uma ilusão nossa.
quem sabe o viver não nos permita isso...


...ao menos essa vez?

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Cadeados.

Uma ou duas, ou duas.
serena, confesso, não imaginava.
as minhas, mentiras, as suas.
se escondiam, ou a verdade escapava?

Fotos, panoramas, esperança.
uma faísca que seu coração permitiu.
o desejo que a alma não alcança.
trincheiras, canseira que te partiu.

Vento firme, voo livre.
pássaro e céu, comunhão.
em preto e branco, as cores formam um clipe.
você me pede, e não consigo dizer "não".

Os sons ecoam pelos vales.
nítidos, lúcidos, discrepantes.
um riso qualquer, apartando males.
a estática instável, nossos corpos num instante...


...em que eramos tudo, a luz e a sombra, o princípio e o fim.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Contas.

Oi você, que diz ter que partir.
um sussurro em seu ouvido.
talvez você não me escute.
o tom do silêncio, o som do perdão.

Perdido ou cedido.
à culpa, quem sabe, ou mesmo a solidão.
e essas escadas não lhe servem mais.
aonde irá agora?

entre os escombros, seu sorriso.
enterre meu olhar, e vá.
corra vagarosamente, até o fim.
certa doçura, até no jeito de andar.

Memórias que ferem.
como pedras no caminho, até lá.
entre as estrelas, eu te vigio, te protejo.
de qualquer tristeza que eu possa causar.


...talvez um dia você saiba como é sentir isso.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Silhouette.

Aproveitando seu gosto caro.
levando as cicatrizes no rosto.
aonde a vista alcança, é para lá que eles vão.
os pássaros silenciosos.

Passamos a noite em claro.
pensando nos porquês.
observando cada estrela, e todas as constelações.
e no final, o céu não tinha respostas.

As mãos que um dia, aqui.
possuíram o fogo, e as páginas.
hoje, sem forças, ou desejos.
entregam a liberdade.

No fim correr pode ajudar.
já que voar não é possível.
ou pode ser apenas sua vontade.
te impedindo de fazer tudo aquilo que é capaz...


...um sonho perdido, sua realidade desfeita ou apenas um ponto de vista justo?

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Condecoração Extirpada

Algo no seu olhar.
e poucos versos.
a voz vai falhar, dessa vez.
sorriso apaixonante, quase perverso.

Luz incandescente.
o olhar estonteante, só você tem.
feridas aqui e ali, feridas permanentes.
nos dias de hoje, somente desdém.

O espelho reflete os lábios.
te pego no colo, um carinho.
na cama, o beijo nos mesmos lábios.
eu e você, e um caminho.

Dê-me a tua mão.
dedos entrelaçados, o horizonte, paz.
risos, abraços, versos, paixão.
um único instante onde a felicidade desfaz...


...ou apenas uma sentença, ilusão.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Compiacenza di vivere in C

Algo acontece, posso prever.
sorrisos de mentiras e farsas mais reais.
olhos que escutam e ouvidos que enxergam além da carne.
uma pequena dose de surrealismo para entorpecer.

Sim, esses são os meus sentidos.
ao menos foi a ilusão que me foi vendida.
junto a ela, um outro delírio, como bonificação.
algo sobre um tal amor, coisa boa de viver.

Vivência e compreensão não estão juntas.
uma garganta seca de gritos não expostos.
tudo o que o grandioso amor pode representar, ou um pouco mais.
ouso dizer que é até uma epopeia esse dito sentimento.

A correnteza de delírio te sufoca.
a tempestade interminável do alcoolismo te persegue.
a inigualável maldição do fumo não te abandona, jamais.
e o que te sobra? nem mesmo o perdão.

Tente respirar mais esperança, com mais frequência.
se permita uma nova forma de aceitar o que estiver à frente.
direcione seu sorriso para um espelho sem o seu reflexo.
dê, passo após passo, prosseguimento na existência.

ainda que ela possa soar miserável e incrivelmente deprimente...





....sempre encontramos um motivo pra sorrir, e seguir.