sábado, 4 de maio de 2013

Conclusão Entrópica

Você ganhou vida.
na ponta dos meus dedos.
o tempo passou.
a embriaguez tornou-se ilusão.

As chamas ascenderam.
o sonho te prendeu.
e quanto a nossa paz?
juro que tentei.

troque sua delicadeza.
toque um coração perdido.
não me dê as costas.
estou aprendendo também.

Talvez seja tudo um jogo, mas talvez...



...talvez seja só você.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Escuridão e Paz.

Toda essa ausência, expondo o lado obscuro.
em seu sorriso distante, as minhas trevas se expandem.
a guerra que meus olhos encontram, a paz que foge.
um medo, seu medo, meu perdão.

Aparentavam ser luzes ao  fundo.
ficando mais e mais distantes da sinceridade.
e um beijo em mãos calejadas pelo horror.
essa noite você perdeu a vontade de ser algo além.

Com aquela pontada no peito, a brasa se mantém.
quem sabe um outro momento seja mais enaltecedor.
ungindo até mesmo a caneca que perpetua o prazer da cafeína.
a mesma gota de chuva desliza por um percurso já feito antes.

Vamos debulhar por toda a lesão causada pela displicência.
perjurar uma única e singela omissão em sua justaposição no dia futuro.
enclausurar tudo o mais que for capaz de ferir a tenacidade da qual pouco dispomos.
viver uma única ideia, como um ideal, apenas...esperando unicamente por...Luz.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Odioso Prazer, Fulminante Desperdício

A terra maculada chora uma perda inexplicável.
o real passa a ser sonho, coincide com o nada.
o sonho é verdade maquiada de sangue e lágrimas forçadas.
qualquer coisa em comum é  consequente do acaso.

Nem mesmo o sol, grandioso e benevolente.
permite que nossos olhos o encontrem, se escondendo.
fugindo para longe desse  lugar abandonado por tudo.
fomos realmente deixados para trás, por quem quer que seja.

Ainda que fossem apenas algumas avarias.
 entretanto tudo se foi, o mar, natureza, a terra, a graça divina.
se é que houve, em algum momento, uma graça divina.
o que restou, enfim? somente nós, eu e você e outros mais, talvez.

Essa tristeza que se acumula, amargura que transborda.
uma solidão somada de arrependimento, beirando o inenarrável.
aqui não há espaço para sorrisos, ou risadas.
e todas as promessas foram quebradas, pela última vez.

O  que se pode ser feito? algo ainda pode ser feito?
começar do zero, com tudo o que sobrou.
um belíssimo quadro do alfa e ômega, se movendo  incessantemente.
guiado pelas cordas da existência, no teatro sádico da vida.


...Aqui ainda temos espaço para uma única coisa: Esperança.

terça-feira, 19 de março de 2013

O silêncio, a fuga e o rugido

Em algum momento, parece que me perdi.
nem mesmo os pensamentos faziam qualquer sentido.
um sorriso ou uma lágrima teriam o mesmo peso.
e talvez ambos não signifiquem nada no final.

Decidi fugir de tudo, do mundo.
e me isolar em algum lugar distante, gélido.
aonde apenas o som do vento seria capaz de incomodar.
e o maior problema é não ter problemas demais.

Quase certo de que o culpado era meu desespero.
por sua vez, me fez pensar sem mesura.
assim sendo, me levando à fuga inconsciente.
e acredito que talvez, assim tenha sido melhor.

Em meu "retiro espiritual", pude observar muito.
um dia, próximo a minha porta, um convidado inesperado.
Tigre dourado, assim nominaram a criatura que ali estava.
passei horas parado lá, apenas observando.

Após uma manhã inteira nos conhecendo em silêncio.
eis que enfim, o Tigre dourado decide partir, sem mesmo um adeus.
uma única palavra após todo esse tempo: Inacreditável.
talvez eu tenha aprendido mais com o tigre em silêncio, do que com tudo o que já escutei até hoje.

Toda a calma, paz e tranquilidade que se pode ter.
e um único rugido, capaz de fazer tremer até mesmo o mais bravo dos vivos.
ainda assim, sem perder a graça e a imponência.
tudo em um único animal, com o qual não troquei uma palavra sequer.

Quem sabe isso não possa ser um sonho real?
pode ser que isso seja a solução para todo o problema.
ainda assim, é importante que se saiba como proceder.
pois nem sempre, o saber é o mesmo que o poder.

Precisamos ouvir mais, sorrir mais....rugir mais.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Célebre Conceito Fúnebre do Raciocínio Ilustre.

Acordamos de um pesadelo.
voltamos à realidade, triste e vã.
apagam nossos sonhos com agulhas e sensatez.
desprezam nossos planos, sempre por nada.

Entregam os nossos pontos, sem consentimento.
palmos de distância do desejado.
o mundo gira incessantemente, em apenas uma fração.
somente para nos afastar mais do que é verdadeiro, ou certo.

Não precisa morrer pra ver deus.
mas se morrer, será que vai acontecer?
e se acontecer, será que vai valer?
se não acontecer, é só porque foi falta de querer...é o que vão dizer.

Agora lutaremos sem pensar.
em prol de qualquer coisa que nos faça bem.
e o resto estará sempre contra nós.
não se importar é o que faz a vida fluir as vezes.




porque remar, se a corrente pode nos levar?

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Pro(A)gressivo

A terra  caia por entre meus dedos.
o céu chorou, enquanto os sonhos morriam.
os rostos, ainda muito abalados, não souberam se expressar.
uma vez mais, tivemos que olhar enquanto parte de nós ia para longe, com o vento.

Ar saindo das narinas, o corpo ainda tremia.
parece medo, mas é somente a falta de crença, e aquela fé em demasia.
uma que nunca se teve, mas agora cresce como a vontade de dizer que é mentira.
e o lugar, aquele velho lugar, onde já estivemos uma outra vez, em nada estava mudado.

Parece inacreditável, mas sabemos que não.
honestamente, estivemos nos despedindo já tem algum tempo.
alguns dias até, talvez, não que eu estivesse contando, pra ser sincero.
queria ser mais sensato, como pensam que sou, para poder entender e aceitar, ser ingênuo.

Mas tudo bem, isso já é costume.
por esses anos de convivência, foi uma das coisas que me ensinou.
é tudo muito simples, quando se é aquilo que vai te fazer bem, e se está disposto.
só não consigo deixar de pensar que havia muito mais a ser passado, muito que eu deveria aprender.

No fim eu não te culpo, de verdade.
nem mesmo a mim, ou a qualquer outro, pessoa, coisa ou Deus que seja.
eu culpo algo, culpo o destino, culpo a ironia, culpo o que puder ser culpado, tudo.
nos culpo apenas por termos acreditado, e termos nos mantido assim até o ultimo segundo.

Quer a verdade? mesmo?
isso não é um adeus, nem mesmo uma despedida trágica.
é como uma noite qualquer, em que todos nos separamos no auge da madrugada.
e vamos para casa, descansar e aguardar a próxima noite em que estaremos juntos, vivendo...

...é só uma pequena pausa, até que estejamos todos reunidos de novo...


...ainda assim, as lágrimas secas vão ferir meu coração por algum tempo.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013

Um novo início, uma outra vez.
um piscar de olhos para cada alvorecer.
uma nova oportunidade para cada dia que surgir.
um momento novo, único, momento de decidir, de viver.

Vimos o céu em cores.
vivas, convidativas, solícitas e perfeitas.
e com elas, a esperança de sempre.
dos dias melhores, das horas mais lentas....dos sorrisos.

E mesmo com a areia gélida entre os dedos do pé.
e o cigarro pela metade preso ao canto da boca.
eu consegui cantar com você, e pude te ver sorrir.
até estourar o champanhe eu consegui, talvez por todos nós.

Parece que vai ser um bom ano.
ser feliz agora soa como uma excelente ideia.
ter preocupações é inevitável, mas não é totalmente necessário.
e estar próximo de quem se quer bem sempre vai ser muito recomendado.

Vamos viver e rir bastante.
vamos comemorar as vitórias que ainda estão por vir.
e esquecer as derrotas que não deixarão de existir.
nos permitir um pouco mais, só um pouco mais...

...e quem sabe, não dá tudo certo no final?