quinta-feira, 7 de abril de 2011

Grão

Os dias passam.
a rotina nos consome.
eis que em um súbito momento.
fui pego pela nostalgia.

Os momentos, eternizados e preciosos.
para nós todo tempo era tempo.
as coisas simples de ser.
e o gosto doce que vinha quando sonhava com você.

E bateu saudade.
uma saudade corriqueira.
como do cheiro da terra molhada de chuva.
e do sabor suave do café nas tardes de garoa.

Da varanda eu podia ver, e ouvir.
o som, o sal e o véu do mar.
encobrindo as encostas, sorridente.
e a nostalgia que não me abandonava.

O olhar marejado.
a secura na garganta.
as mãos, levadas ao rosto.
e uma última pergunta, antes de partir...

....''quando seremos tão felizes novamente?''




















...Seremos?


terça-feira, 5 de abril de 2011

Salvation

Somos perdidos.
o fogo nos recusa.
a luz não nos deseja.
vagamos em busca de conforto.

Os ossos vão rachando.
os músculos contraem.
a carne queima com o sol ardente.
e tudo que podemos, é isso.

Convicção é apenas uma palavra.
força de vontade, um ideal.
integridade, uma necessidade.
vitória, um sonho.

Nos minutos, somos vorazes.
Nos dias, complacentes e desmedidos.
Nos anos e séculos por vir...
...Sanguinolentos e atrozes.

Agora, filhos e filhas da verdade.
o momento de ser, é este.
preservem a fé, dentro de cada um.
carreguem consigo verdade, lealdade e sejam sempre virtuosos...


...para que os próximos tenham em quem se espelhar.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Blood.

Por entre o fogo e as chamas.
o calor do corpo se esvai.
e as gotas de chuva consolam,
os derrotados e abatidos.

As lâminas não mais se encontram.
os olhos parecem perdidos.
em meio a um turbilhão de raiva e ódio.
se encontrar parece um desafio imbatível.

O sangue que escorre por entre os campos.
a solitude que consome os destemidos.
e todo o orgulho e honra,
de uma luta jamais travada.

Em guerras, não há vencedores.
nem os que ainda estão de pé.
nem os que já padeceram,
é uma guerra, afinal.

O tempo, é totalmente relativo.
o vento, a chuva e seus fraternos.
em momentos, nos acolhem.
em momentos, nos desprezam.

E fomos,somos e seremos.
isso, e apenas isso.
apenas carne a ser exposta.
carne a ser cortada...

...carne que sangra, que morre, que se eterniza.





terça-feira, 22 de março de 2011

Life's A Cage

A vida é uma gaiola.
ela te prende, te sufoca.
e quanto mais você tenta fugir.
mais preso você fica.

Viver na gaiola é triste.
é como ter seus pés acorrentados.
suas mãos atadas,
e a boca amordaçada.

Não tem porque se esforçar.
deixe estar, se a vida te prende.
ela é uma gaiola a céu aberto.
a chuva irá enferrujar suas grades.

A liberdade vem com a paciência.
paciência, virtude dos bravos.
e aos pobres beócios,
apenas mais ignorância.

O tempo permite as tuas asas.
vôos indubitavelmente altos.
para que elas se exponham diante do sol.
e que ele, por sua vez, ilumine teus olhos.

Agora que a vida perdeu suas garras.
suas armas e grades.
a liberdade lhe abraça, convidativa.
sem esperar pelos dias que virão...

...voarás em direção a imensidão de luz.

terça-feira, 15 de março de 2011

Tempo

Vou voltar para mudar.
o que eu não fiz.
o que eu quis fazer.
o que a vida levou, e deixou pra lá.

Ser alguém.
corro contra a luz que cega.
uma, duas, mil vezes.
o vento sopra, as cores morrem, as flores sofrem.

Nosso tempo foi embora.
os minutos, os segundos e as horas.
sorrisos vulgares, agora nada se tornaram.
os sonhos que tivemos, agora são névoa.

E me lembro de te ver chorar.
de relance, na janela.
lágrimas sinceras, ou apenas ilusão?
tenho medo de tentar descobrir...


...que a ferida no seu coração foi maior...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Living on the other side

Por onde nós passamos?
a vida parece difícil aí.
se o tempo pudesse parar.
ou mesmo retroceder, você mudaria?

A convicção e o regozijo.
sempre em prol dos dias melhores.
e o alarde e a inconsitência.
provenientes do medo em si.

o sol da meia noite.
nossas nuvens e suas diversas formas.
a paz que, por um instante, nos foi dada.
hoje são apenas mentiras e chuva.

O outro lado parece tentador.
o brilho, os sons, e todo o aroma.
um drink, um beijo roubado e mais.
um amor perdido, rosto corado, vivaz.

a porta se abre uma vez mais.
os seus sonhos se expõem, distantes.
e os meus somem, dentro da neblina.
e eu vi o seu reflexo naquele momento...


....no espelho d'água chamado saudade.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

How soon is now?

Sou o filho.
a perdição em carne.
voz que entoa canções.
versos perdidos nas luzes lunares.

você se cala.
seu mundo começa a ruir.
quando você fica só.
e você parte só, à casa torna e a chorar.

nossas notas se sustentam.
um dizer, confronto, sobreviver.
olhos marejados de tristezas passadas.
e tudo que sentimos, é vontade de gritar.

herdeiros da verdade.
amaldiçoados com bençãos eternas.
luzes divinas e fogo sagrado.
almas soterradas em lama e falsos risos.

eles te dizem o que fazer.
você rejeita e foge.
e repetem,''você poderia encontrar alguém...
...que realmente te ame''...e você quer morrer.

Oh não, até onde eu vejo?
as linhas tênues entre os dois lados...
...apenas dois lados?
e eu nunca pretendi lhe causar mal.

e as teias, enroladas em mim.
prendendo meus pensamentos.
minhas vontades, meus desejos.
prendendo minha consciência, minha essência como um todo.

os deuses foram bons conosco.
nos deram esperança para um amanhã melhor.
e seus dedos, descendo e subindo por entre a realidade.
tecendo teias para nos acolher...teias para nos acalantar...


....teias para nos libertar, da prisão que nós mesmos criamos.